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Proibição da caça ao javali coloca em risco cultura do amendoim no interior paulista

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Foto: Internet
Espécie invasora que se espalhou pelo Brasil, o javali se adaptou as plantações de cana-de-açúcar e de eucalipto do interior paulista e tem causado grandes prejuízos a esses setores. Mas a cultura mais afetada é a de amendoim, os animais chafurdam a lavoura em busca de alimento e podem devastar toda a área plantada.
 
Agressivo, de fácil adaptação e quase sem predadores, o javali está na lista das cem piores espécies exóticas invasoras do mundo, elaborada pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN). Considerado praga, invadiu o Brasil a partir do Uruguai, no fim dos anos 1980.
 
Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), já foram registrados javalis no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia, Acre e Rondônia. Sua presença já foi registrada na região de Ribeirão Preto, devastando cana e amendoim.O problema é tão grave que, em 2013, o Ibama autorizou a caça do animal para manejo controlado.
 
No entanto, a aprovação do Projeto de Lei 299/2018 pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) no dia 22 de maio, de autoria do deputado Roberto Trípoli (PV), determina que o controle populacional, manejo ou erradicação de espécie declarada nociva ou invasora não poderá mais ser realizado por pessoas físicas ou jurídicas não governamentais através da caça.
 
A proibição da caça como forma de manejo de javalis em São Paulo representa uma grande ameaça econômica e ambiental ao estado e coloca em risco o planejamento do Brasil de prevenir e erradicar a febre aftosa no País. O alerta é da Sociedade Rural Brasileira (SRB).
 
Os javalis são espécies exóticas, ou seja, que não pertencem à fauna brasileira. O javali, com cerca de 1,30 metro de comprimento e 80 kg, pode chegar a 250 kg quando miscigenado a porcos domésticos. A SRB alerta que, sem um predador natural ou uma estratégia de manejo, os animais são capazes de se multiplicar de forma exponencial e ainda atacar animais silvestres, destruir espécies da flora, assorear nascentes e rios, danificar o solo, prejudicar lavouras e ainda ameaçar a saúde e a segurança de pessoas.
 
Segundo levantamento feito pela equipe da SRB, estima-se que no estado de São Paulo existam mais de 500 mil animais asselvajados. A presença dessas espécies representa um risco sanitário sério. Além da possibilidade de um novo surto de febre aftosa no País, o javali pode transmitir outras doenças, como peste suína, brucelose e tuberculose.
 
Um estudo realizado pelo Departamento de Ecologia da Universidade Estadual Paulista (UNESP) em 2015 constatou que os javalis estão presentes em 472 municípios brasileiros. Calcula-se que, em algumas regiões, agricultores perdem de 30% a 60% das lavouras a cada safra em razão dos ataques, que também atingem rebanhos. O encontro com o javali no canavial ou em outro ambiente não é nada agradável, pois o animal ataca repentinamente, enfiando as presas nas pernas da vítima.
 
A caça, única ferramenta disponível hoje para o manejo do javali, é regulamentada pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Ibama. Nestes casos, o manejo da espécie visa controlar a população de javalis, protegendo a fauna e flora, bem com as lavouras afetadas. A SRB enfatiza que o abate não deve ser feito com armadilhas venenosas ou qualquer método que cause sofrimento ao animal. Para a caça com arma de fogo, é necessário se inscrever no Cadastro Técnico Federal (CTF) e prestar contas com o envio do Relatório de Manejo de Javalis trimestralmente para o Sistema Ambiental Paulista (SMA). Os manejos ocorridos em Unidade de Conservação são feitos apenas após autorização das autoridades competentes.
 
A SRB solicita ao Governador Márcio França, ao Secretário da Agricultura do Estado de São Paulo, Francisco Jardim e ao Secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Maurício Brusadin, o veto do Projeto de Lei.


Fonte: CanaOnline

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